1. Por que é importante atividade física no idoso?
Porque tem aumentado progressivamente a proporção da população de idosos. Também porque, em geral, os idosos são mais sedentários do que os mais jovens, sofrendo mais de problemas clínicos que provocam deficiências funcionais, maior dependência e mais utilização dos serviços de saúde.

2. A partir de quando, isto é, com que idade os indivíduos começam a apresentar incapacidades capazes de afetar suas atividades?
Nos dois sexos as incapacidades geralmente se manifestam aos 60 anos e aproximadamente 1/3 dos indivíduos acima dos 65 anos apresenta alguma deficiência ao fazer atividades, tais como a caminhada.

3. É o exercício benéfico para o idoso?
Não podemos esquecer as vantagens de um padrão de vida onde esteja incluída a atividade física constante, visando a prevenção dos efeitos dos desgastes naturais e do envelhecimento. Pessoas que sofrem de artrose (osteoartrose), fraturas ou mesmo derrame cerebral podem se beneficiar muito, do ponto de vista terapêutico, com um programa de exercícios metódico.

4. Quais são as vantagens do exercício feito de maneira regular no idoso?
Citamos algumas:
- melhora no débito cardíaco;
- queda da freqüência cardíaca de repouso;
- redução do colesterol
- queda da pressão sangüínea;
- melhora da ventilação alveolar por minuto;
- melhora da capacidade vital expiratória forçada (CVF);
- melhora da densidade óssea;
- melhora da força muscular, flexibilidade e coordenação.
E ainda, como resultado de exercícios regulares:
- melhora do humor e da auto-estima;
- redução da ansiedade e da depressão;
- aumento da sociabilidade;
- redução do tempo ocioso.

5. Como se pode iniciar um programa de exercícios no idoso?
O médico antes deve fazer uma avaliação das necessidades e objetivos do idoso, após um exame completo, avaliando o nível de atividade e de capacidade funcional, determinando os objetivos do indivíduo em particular. Para a maioria, os objetivos são a melhora da mobilidade e de outros aspectos funcionais; para outros, a obtenção de níveis profissionais. O médico deverá prescrever as etapas progressivas e corrigir objetivos não realistas. Se os objetivos forem desproporcionais às capacidades físicas, reorientá-los para outros mais modestos.

6. O que deve ser avaliado antes do programa de exercícios?
Na história, devem ser incluídas as doenças anteriores e as atuais, se houverem; as lesões anteriores e a medicação que porventura esteja sendo utilizada. Se houverem lesões prévias, determinar o grau de recuperação funcional, pós-lesão. Devem haver também a avaliação da capacidade funcional, do estado nutricional, da função cardiovascular e também das funções neurológica e psicológica. Não que seja a mais importante, mas uma avaliação do sistema músculo-esquelético deve ser bastante acurada visando o grau de amplitude de movimentos, da flexibilidade, da força e dos tratamentos realizados anteriormente.

7. Deve haver algum tipo de teste de tolerância ao exercício no idoso?
Sim. Os pacientes que porventura necessitarem de uma supervisão estrita devem ser submetidos a testes por especialistas (em princípio, cardiologistas e/ou angiologistas). Os pacientes com as seguintes histórias anteriores devem fazer teste de esforço supervisionado:
• Infarto do miocárdio recente ou pós-operatório de pontes de safena.
• Presença ou necessidade de marca-passo.
• Uso de medicações cardíacas, crono ou inotrópicas [v. crono-, ino-, trop(o)].
• Presença de obesidade mórbida, associada a vários fatores de risco coronarianos.
• Depressão do segmento ST em repouso.
• Hipertensão severa.
• Claudicação intermitente.
Em geral, muitos pacientes do grupo dos atletas idosos precisam de algum teste de exercício antes da instituição de um programa. As condições clínicas e ambientais que exigem moderação de atividade e precaução na prescrição de exercícios são:
a) Precaução:
- Infecção virótica ou resfriado.
- Dor torácica.
- Arritmias cardíacas (v. arritmia cardíaca).
- Asma induzida por exercício.
- Atividade física prolongada, não habitual.
- Distúrbios de condução do coração
b) Moderação:
- Calor extremo e umidade relativa elevada.
- Frio extremo, especialmente quando houver ventos fortes.
- Após refeições pesadas.
- Exposição a lugares de grande altitude (mais de 1700 metros).
- Lesões musculoesqueléticas importantes.

8. O que se pode fazer para que o idoso fique interessado em exercícios?
Costumeiramente, o estilo de vida do idoso tende a ser sedentário. Deve-se, no entanto, tentar mostrar e fazer o idoso entender as vantagens do exercício regular e, também, que os exercícios tendem a melhorar a sociabilidade e que podem ser divertidos. Nessa explanação os objetivos devem ter significado para o idoso, serem possíveis de serem alcançados e realistas. Deve ser realçada a vantagem das atividades em grupo; os pacientes devem ser avaliados, periodicamente, para que se possam mostrar os progressos alcançados. Sobretudo, é muito importante o auxílio por parte dos cônjuges, amigos e família para que o paciente inicie e mantenha um programa de exercícios.

9. Existe alguma limitação com relação a fatores ambientais para que o idoso pratique exercícios?
Sim. Por conta da própria faixa etária, podem ser mais susceptíveis à influência de vários fatores relacionados ao ambiente, principalmente quanto a termorregulação e também quanto ao uso de medicação. A exposição, às vezes nem tão prolongadas a temperaturas e umidade elevadas podem predispor a riscos e lesões, principalmente desidratação e choque térmico. O tratamento com diuréticos tende a aumentar esse risco. Também exposição prolongada ao sol pode levar a lesões da pele (queimadura pelo sol e ceratose pré-maligna e ao próprio câncer de pele).

10. De que maneira o frio pode afetar o idoso?
A exposição ao frio pode produzir lesões, tais como a queimadura pelo frio, úlcera e hipotermia (as duas primeiras mais comuns em países com inverno rigoroso). Os problemas mais comuns são a angina e o broncoespasmo induzidos pelo frio, além de piorar outros problemas respiratórios já existentes (broncoespasmo alérgico e doença pulmonar obstrutiva). Fatores predisponentes:
• doenças crônicas
• desnutrição
• má hidratação
• efeitos de medicamentos utilizados

11. Como se precaver quanto aos efeitos nocivos ambientais?
Um enfoque importante é o relacionado com a vestimenta. Esta deve proporcionar isolamento adequado no frio e ventilação e aeração suficientes no calor. No tempo mais quente a ventilação é muito importante para que haja a dissipação do calor necessária e, desse modo, evitar o superaquecimento. No calor, lembrar que, além das roupas para proteção dos efeitos nocivos do sol, faz-se necessária a proteção das áreas expostas da pele através de cremes solares. As roupas devem ser ajustadas ao corpo, nunca limitando ou restringindo movimentos.

12. Quais as condições que podem interferir na realização dos exercícios?
Tanto os antecedentes clínicos quanto os medicamentos em uso devem ser revisados e poderão levar a adaptações antes do início dos exercícios.

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