1. Pode a criança participar de esportes competitivos?
Sim. Qualquer programa de esporte, quando bem organizado e supervisionado, oferece às crianças uma experiência muito positiva. Lembrar sempre que as crianças não são pequenos adultos e que as suas necessidades são totalmente diferentes. A qualidade dessa experiência dependerá sempre do local, do treinador, do treinamento instituído e da criação da jovem.

2. Quais os objetivos principais dos esportes juvenis?
Que a criança tenha prazer, que tenha condições de aperfeiçoar suas habilidades, que esteja em forma e que aprenda a competir.

3. Qual o principal problema no treinamento?
O mais interessante em esportes para crianças são as oportunidades de crescer como indivíduo e também satisfação pessoal e, daí, o conseqüente prazer e alegria pessoais. O fato de se chegar à vitória é secundário. Alguns esportes, principalmente os apresentados pela televisão, dão muita ênfase à vitória; isto nunca deverá ser o objetivo principal. Um bom treinador ensinará sempre o correto equilíbrio entre competição e cooperação. Para crianças mais jovens, não há nem mesmo necessidade de escore ou contagem de pontos. À medida que a criança for crescendo e, como conseqüência natural, forem aumentando suas experiências e interesses, vai aumentar também a intensidade da competição em si.

4. Qual a importância do treinador em relação à auto-estima?
Um treinador bem preparado sabe muito bem como aumentar a auto-estima das crianças, mesmo porque qualquer criança com baixa auto-estima é mais vulnerável. Nesse caso, elas necessitam de uma boa experiência atlética, ganhando muito com um bom treinamento.

5. Qual é a importância dos pais e do treinador?
Os pais representam um papel primordial na experiência atlética das crianças. Com pais interessados e treinadores eficazes a criança ganha muito em alegria e crescimento. Se houver deficit por parte dos pais ou do treinador, a criança tende sempre a sair prejudicada.

6. Qual o principal problema na formação do atleta mirim?
A auto-estima. Nesse aspecto é fundamental o papel dos pais – “Caminhe procurando algo correto para seu filho fazer” (Blanchard e Johnson). O aplauso, sempre repetido, das habilidades crescentes aumentam, na mesma proporção, a auto-estima e a motivação para participar.

7. Qual o papel dos pais?
Os pais devem estimular e ajudar seus filhos “por fora”. Nenhuma criança compreende o motivo ou gosta que seus pais “briguem” com o treinador ou com o juiz, em qualquer hipótese. Quando os pais são participativos, os filhos sabem que são amados pelo que são e não pelo que sabem fazer, seja no campo, seja na sala de aula.

8. E quando os pais também (ex)atletas querem experimentar, eles mesmos, o sucesso dos filhos?
Os pais atletas “vicariantes” pressionam os filhos para que se destaquem no atletismo, experimentando, eles mesmos, o sucesso dos filhos. O resultado é sempre uma forma limitadora, estranha e errônea de “encorajamento e auxílio”. À medida que as expectativas dos pais vão crescendo, a criança começa a limitar sua participação em apenas um dos esportes oferecidos. Qualquer sucesso vem sempre seguido de novas expectativas de maiores e maiores performances, isto é, ganhar e ganhar sempre, o que acaba se tornando uma armadilha para a criança. Para não ter que competir, o único caminho vislumbrado pela criança, sem desapontar os pais, é apresentar algum tipo de lesão: ginastas com dores nas costas, nadadores com dores nos ombros, patinadores com dores nos joelhos, etc. É aí que entra em ação o médico, exigindo deste grande capacidade de comunicação para alterar esse tipo de padrão doloroso, infelizmente bastante comum na prática diária.

9. Existe algum tipo de regra quanto à idade da criança para participar nos esportes?
A principal consideração deve levar em conta o nível de maturidade física e emocional da criança.

10. Existe alguma forma de organizar esportes para crianças em diferentes níveis de participação na pré-puberdade?
A classificação atlética baseada na idade pode levar a muitos enganos sobre a força, a coordenação e o tamanho (não esquecer que o início da puberdade varia muito em relação ao sexo e à idade). A escolha dos participantes exige grande tato e sensibilidade por parte do treinador.

11. Meninos e meninas podem treinar ou jogar juntos?
Em princípio, todos concordam que sim. Poderiam jogar ou treinar juntos, com segurança, antes da puberdade. Depois de instalada a puberdade, a situação seria ditada pela demanda. Ou seja, nos casos em que as meninas conseguirem por mérito próprio a participação em esportes como, por exemplo, de contato ou colisão, não há porque não participar (e, com freqüência, vencem).

12. Nos jogos em equipe, a criança deveria jogar em time perdedor ou ficar no banco de um time vencedor?
Pesquisas mostraram que mais de 90% preferiam jogar em time perdedor a ficar no banco de time vencedor. Os esportes em equipe envolvem o compromisso de que cada criança jogue, pelo menos, a metade do jogo.

13. Há algum tipo de esporte que as crianças devam evitar?
Sim: boxe e salto ornamental, por exemplo. O boxe entre crianças apresenta grandes riscos de lesões da cabeça, por danos cerebrais, além do evidente aspecto negativo de atingir e intimidar outra criança. O salto ornamental deveria ser praticado somente sob estreita supervisão de instrutores altamente preparados e treinados.

14. O treinamento de força é seguro em crianças?
As opiniões são bastante divergentes. No entanto, há um consenso geral de que qualquer treinamento de força é seguro quando houver supervisão de um treinador com experiência no uso de força específica e adequada à idade da criança.

15. Há alguma orientação básica para o treinamento de força em atletas jovens?
Sim. Em 1985, a American Orthopaedic Society for Sports Medicine (AOSSM) e a National Strength Coaches Association desenvolveram um conjunto de orientações:
1) necessidade de exame físico antes da participação;
2) necessidade de que a criança tenha maturidade emocional para aceitar o treinamento;
3) supervisão por treinadores competentes, com experiência em treinamento de força adequado para cada faixa de idade;
4) treinamento de força apenas como parte de um programa mais amplo destinado a aumentar outras habilidades motoras e níveis de aptidão;
5) aquecimento e resfriamento adequados;
6) todos os exercícios executados através de uma ampla gama de movimentos;
7) sem levantamentos que atinjam a capacidade máxima individual;
8) treinamento inicial sem resistência para aprender as técnicas apropriadas;
9) de 6 a 15 repetições por conjunto;
10) pequenos incrementos de carga (máximo de 1,5 Kg), aumentando os níveis de resistência;
11) sessões de treinamento de força de 20 a 30 minutos, até 3 vezes por semana e
12) competição proibida, com mais ênfase no levantamento concêntrico do que no excêntrico (no concêntrico, a maior resistência se dá quando os músculos contraem e se distendem; no excêntrico, a maior resistência ocorre quando os músculos estão se distendendo e relaxando).

16. O treinamento com pesos aumenta a força de atletas pré-adolescentes e adolescentes?
Sim. Os jovens aumentam significativamente sua força com o treinamento com pesos. O principal componente é o desenvolvimento da habilidade, com melhora real da força. Os maiores aumentos surgem depois de entrada franca da puberdade.

17. As crianças pequenas são mais predispostas a lesões?
Não. Em geral, as menores apresentam menos lesões que as mais velhas. A incidência de lesões vai aumentando progressivamente com o aumento da idade da criança. Esse aumento estaria relacionado com o fato de, após a entrada definitiva na puberdade, esses atletas se tornarem mais fortes, maiores e mais rápidos.

18. As meninas têm mais facilidade para sofrerem lesões?
Em princípio, não. Naqueles esportes onde há igual participação de meninos e meninas os índices são os mesmos. Naqueles em que as modalidades são as de contato e colisão os meninos apresentam um índice total de lesões maior.

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