Fibromialgia e distúrbio do sono
Dr. Abner Carlos Areno

Estudos têm mostrado que pacientes com fibromialgia apresentam o sono fisiológico alterado. A maior parte desses pacientes experimenta sono não reparador, com fadiga matutina.

Durante o sono, o cérebro é muito ativo, comunicando-se incessantemente com o organismo. Muitos neurormônios, anticorpos e outras moléculas são sintetizados durante o período do sono. Quando o sono, do ponto de vista fisiológico, se apresenta alterado, anormalidades bioquímicas podem ocorrer, acarretando alterações em todo o organismo.

Estudos, mediante o uso do eletroencefalograma (EEG), mostram que o cérebro apresenta ondas fisiológicas e que são captadas pelo EEG. Basicamente, as ondas captadas pelo EEG, servem para dividir o sono em 2 ciclos sucessivos de ondas – o de movimentação lenta dos olhos e o de movimentação rápida dos olhos, que se alternam em períodos durante o sono, começando sempre com o período de movimentação lenta. A cada ciclo sucessivo, durante o sono, o período de movimentação lenta vai se encurtando e de movimentação rápida vai aumentando. Cada ciclo dura aproximadamente 90 minutos. O ciclo de movimentação lenta é ainda subdividido em 4 estágios: o estágio 1 é de sonolência; o estágio 2 é o de sono leve; os estágios 3 e 4 são de níveis progressivamente mais profundos do sono.

Nos estágios 3 e 4 do ciclo de movimentação lenta o EEG mostra um padrão de ondas denominado de ondas delta. Muito do trabalho regulador do organismo, assim como a síntese de muitas substâncias, tais como, anticorpos, hormônio de crescimento e outras substâncias neuroquímicas, ocorrem durante o ciclo de movimentação lenta dos olhos.

O ciclo de movimentação rápida dos olhos é considerado o período dos sonhos. Neste estágio, o organismo apresenta uma completa perda de tônus muscular, conhecido como paralisia flácida, e não pode se mover. Durante essa parte do sono, a consolidação da memória pode ocorrer, mas ainda há desacordo sobre o que acontece exatamente durante esse período. Alguns pesquisadores encontraram que durante a vigília (pessoa acordada) o cérebro gera um tipo de onda denominado de ondas alfa.

O distúrbio do sono é considerado um achado intimamente ligado à fibromialgia. Cerca de 70% dos pacientes com fibromialgia reconhecem que existe ligação de sono ruim e aumento da dor, além do fato de não se sentir descansado ao levantar, fatigado e, do ponto de vista emocional, angustiado.

Alguns pesquisadores estudaram o sono na fibromialgia, confirmando a alteração da fisiologia do sono. Essa anormalidade foi identificada como uma intrusão de ondas alfa no estágio 4 do período de movimentação lenta dos olhos. Outros autores descrevem a associação de alteração do sono fisiológico e presença de sintomas somáticos como síndrome do sono não restaurador.

Alguns autores acreditam que o distúrbio do sono esteja ligado a numerosas alterações metabólicas associadas com a fibromialgia, incluindo níveis anormais de neurotransmissores (serotonina, substância P) e substâncias de caráter imunológico (hormônio do crescimento, cortisol e interleucina-1). Estes autores propõem que estes desequilíbrios metabólicos sejam responsáveis pelo aumento dos sintomas associados ao distúrbio do sono por intrusão de ondas alfa por dificultar a reparação tissular e alterando a ação imunorreguladora do sono. Estudos mostram que a maior intensidade de intrusão de ondas alfa ocorre durante as primeiras horas do sono, diminuindo progressivamente durante a noite para níveis normais no início da manhã. Alguns pesquisadores notam que esta hipótese se correlaciona bem com a queixa freqüente de que o melhor sono é obtido somente no início da manhã, poucas horas antes de se levantar.

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