Introdução ao processo inflamatório
Dr. Abner Carlos Areno

A inflamação, com seus sinais clínicos evidentes, é conhecida desde a época clássica dos gregos (phlogosis em grego e inflammatio em latim). Celsus, no século II de nossa era, descreveu os quatro sinais clássicos da inflamação: rubor (eritema), calor (temperatura elevada), tumor (edema) e dor (algia).

O que é e como se caracteriza a inflamação? Inflamação é a reação de um tecido e de sua microcirculação a uma lesão patogênica e se caracteriza pela produção de mediadores inflamatórios e movimentação de líquido e leucócitos do sangue para os tecidos extravasculares.

Do mesmo modo que os mais variados estímulos nocivos exógenos e endógenos podem ser a causa de lesão celular, também podem provocar um tipo de reação complexa, no tecido que possui irrigação sanguínea, denominada inflamação. A reação mais típica é a que se apresenta nos vasos sangüíneos. Essa reação vascular faz com que haja acúmulo de líquidos e leucócitos nos tecidos extravasculares. O interessante e freqüentemente esquecido é o fato de que a resposta inflamatória está intimamente ligada ao processo de reparação do local, inclusive do tecido eventualmente lesado.

Quais são os objetivos finais do processo inflamatório? Basicamente, esse processo tem por função destruir, diluir ou limitar e encerrar o agente lesivo. No entanto, a inflamação coloca em ação uma seqüência de eventos fisiológicos que reparam e reconstituem o tecido danificado. Essa cicatrização começa já nas fases iniciais e, em última análise, termina assim que os agentes nocivos endógenos ou exógenos são neutralizados. Dessa maneira, o tecido porventura lesado é substituído através de regeneração de células do parênquima tecidual, por preenchimento do defeito residual com tecido fibroso (cicatrização) ou por combinação dos dois processos. Um segundo objetivo seria livrar o tecido (ou tecidos) e, em última análise, o organismo da causa inicial da lesão celular e das respostas àquela lesão (lesões celulares e tecidos necróticos). Sem a presença do processo inflamatório, uma infecção seguiria sem qualquer limitação, não haveria a cicatrização das feridas e os órgãos lesados seguiriam assim permanentemente, podendo levar o indivíduo à morte.

É bom lembrar, no entanto, que a inflamação e a cicatrização (reparo tecidual) podem ser lesivos. Em que ocasiões? Por exemplo, reações de hipersensibilidade que podem ameaçar a vida (picadas de insetos, drogas e toxinas) ou serem o início de algumas doenças de caráter crônico (artrite reumatóide, fibrose pulmonar e aterosclerose). A própria reparação, feita por fibrose, pode produzir cicatrizes muito feias (pele) e, no caso particular das articulações, aderências que limitam o movimento normal ou aumento de volume permanente (facilmente perceptível nas articulações interfalangianas das mãos).

Como visto acima, o processo inflamatório ocorre em tecido conjuntivo que possua vascularização - tecidos onde não existem vasos sangüíneos não cicatrizam, como, por exemplo, a porção mais interna dos meniscos do joelho, cuja nutrição se faz pelo líquido intra-articular sinovial e não através de vasos. Nos locais vascularizados, a resposta inflamatória inclui o plasma com suas células circulantes, vasos sangüíneos e os constituintes celulares e extracelulares do tecido conjuntivo.
a) células circulantes: incluem neutrófilos, monócitos, eosinófilos, linfócitos, basófilos e plaquetas.
b) células do tecido conjuntivo: mastócitos, com íntimo contato com os vasos sangüíneos, os fibroblastos, os macrófagos residentes e linfócitos eventuais.
c) matriz extracelular
1. proteínas fibrosas estruturais: colágeno e elastina;
2. glicoproteínas: fibronectina, laminina, colágeno não-fibrilar, tenascina e outras;
3. proteoglicanas e
4. membrana basal (componente especializado da matriz extracelular): glicoproteínas aderentes e proteoglicanas.

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