LER/DORT - ENTREVISTA
Dr. Maurício P. Rodrigues

Revista Unibanco 311
- Jan/fev 2004 - 

Pauta: LER/DORT
Entrevistado: Dr. Maurício Pinto Rodrigues
Reportagem e redação: Eduardo Cordeiro


QUALIDADE DE VIDA

Movimento pela vida: Cuidados simples, mas importantes no dia-a-dia, são fundamentais para vencer uma batalha silenciosa.

Inimigos ocultos, identificados por uma série de nomes genéricos e com capacidade de provocar grandes prejuízos para profissionais e empresas de todo o mundo, merecem atenção especial. Por trás de siglas como LER (lesões por esforços repetitivos), Dort (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho) e Amert (afecções músculo-esqueléticas relacionadas ao trabalho), só para citar algumas, estão doenças que afetam tendões, músculos, nervos, ligamentos, sinóvias (tecido produtor do líquido sinovial, que lubrifica a cartilagem articular) e fáscias (tecido fibroso que reveste os músculos). 

Geralmente relacionados a postura inadequada e a esforços repetitivos, realizados por longos períodos, sem pausa para recuperação muscular, esses distúrbios podem ser provocados por fatores presentes tanto no ambiente de trabalho quanto naqueles voltados a atividades de lazer. O uso em excesso de microcomputador ou de vídeo-game, a execução de trabalhos manuais, como tricô e crochê, e a prática, sem orientação adequada, de esportes como tênis, musculação e atletismo são capazes de levar ao desenvolvimento de lesões. Da mesma forma, tocar piano ou violão, sem respeitar os limites do corpo, é uma atividade de risco. 

Como explica o médico ortopedista e membro titular das Sociedades Brasileiras de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e de Cirurgia da Mão (SBCM), Maurício Pinto Rodrigues, no ambiente de trabalho é possível enumerar alguns fatores que devem ser evitados. Jornadas extensas, com períodos de pausa insuficientes, mobiliário inadequado, postura incorreta e níveis elevados de estresse, associados ao sedentarismo e à baixa resistência física das pessoas, formam o ambiente ideal para o desenvolvimento de diversas patologias que acometem a coluna vertebral e membros.

No Brasil ainda não existem estudos mais abrangentes, capazes de revelar a exata dimensão do problema. Porém, iniciativas de entidades como o Cerest (Centro de Referência de Saúde do Trabalhador), mantido pelo Governo do Estado de São Paulo, e o Centro de Referência do Trabalhador, da Prefeitura do Município de São Paulo, fornecem pistas da existência de um quadro preocupante no que diz respeito à extensão e às conseqüências do problema.

O melhor remédio
Esse panorama coloca a classe médica e toda a sociedade diante de um grande desafio: reverter o número crescente de casos registrados de doenças como tendinite (inflamação dos tendões), tenossinovite (inflamação do tecido que reveste os tendões), bursite (inflamação das bursas, pequenas bolsas situadas entre os ossos e tendões das articulações dos ombros), só para citar as mais conhecidas dentro de um universo de mais de uma dezena de males.

Além das sérias conseqüências para os portadores, nos estágios mais avançados os tratamentos e medicamentos atualmente utilizados têm eficácia reduzida. Mesmo nos casos tratados com sucesso, o paciente é submetido a uma série de procedimentos e permanece impossibilitado de realizar todas as suas atividades por longos períodos. Portanto, a prevenção é a melhor estratégia. “Hábitos saudáveis de vida, como uma alimentação balanceada, respeito ao horário de sono e a prática regular de exercícios físicos são essenciais”, destaca o Dr. Rodrigues. 

Com relação à atividade física, o especialista destaca mais uma constatação dos peritos. “Além de reduzir os níveis de estresse, outro fator de risco, os exercícios propiciam um bom condicionamento, reduzindo as chances de lesões”, revela. Postura inadequada e a falta de atenção aos intervalos para relaxamento e de descanso necessários após períodos de atividades físicas repetitivas, também devem ser evitadas. Nas paradas para descanso, cuja freqüência e duração depende do tipo de atividade executada, alongamentos são sempre bem-vindos, pois propiciam a alimentação e a oxigenação dos tecidos musculares trabalhados. 

Para manter-se bem
• A altura de mesas e cadeiras precisam estar ajustadas às necessidades de cada usuário. 
• A temperatura e luminosidade do local de trabalho também devem ser ideais.
• Pratique exercícios físicos regularmente, mas somente com a supervisão de profissionais capacitados.
• Prefira uma alimentação balanceada e evite excessos.
• Durma o tempo necessário para sentir-se revigorado.
• Faça alongamentos regularmente. Se possível, participe de sessões de ginástica laboral.
• Tenha um hobby, capaz de reduzir o estresse do dia-a-dia.

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