1. Há diferenças fundamentais entre atletas homens e atletas mulheres?
Sim. Existem diferenças no sistema musculoesquelético e também quanto a fatores biomecânicos (v. biomecânica). Se fizermos uma comparação com o homem, a mulher atleta é mais leve, mais baixa e com a bacia (pelve) mais ampla e larga. Por ter a bacia mais larga, o quadril – articulação entre o fêmur e a pelve (ou região entre a crista ilíaca e o trocanter maior do fêmur) fica mais afastado da linha média e isso faz com que os joelhos sejam mais inclinados para dentro (grau de valgo do joelho maior que no homem); as pernas são menos arqueadas. Também tem seus membros mais curtos em relação ao comprimento das pernas. Ombros mais estreitos, mais inclinados; maior ângulo do cotovelo (maior grau de valgo, isto é, a partir do cotovelo o antebraço e a mão se afastam da linha média). Essas características podem favorecer um aumento de incidência de certas lesões como, por exemplo, a síndrome patelofemoral. Além disso, as mulheres atletas têm maior porcentagem de gordura corporal. Em geral, a maioria dos valores quantitativos para mulheres varia entre dois terços e três quartos dos valores registrados em homens. Inversamente, quando medido em termos de força por centímetro quadrado de área em corte transversal, o músculo das mulheres pode alcançar quase exatamente a mesma força máxima de contração do músculo dos homens – entre 3 e 4 kg/cm2. Para mensurações que forma feitas na mulher atleta, aplicam-se princípios fisiológicos quase idênticos, exceto para as diferenças quantitativas, causadas por diferença do tamanho e composição corporal e da presença, ou ausência do hormônio sexual masculino, a testosterona.

2. Em termos de fisiologia, qual a importância do hormônio masculino (testosterona) e do feminino (estrogênio)?
A testosterona secretada pelos testículos exerce poderoso efeito anabólico no sentido de causar deposição muito aumentada de proteína em todo o corpo, porém especialmente nos músculos. Até um homem que participe de pouquíssima atividade desportiva mas que, não obstante, é bem dotado de testosterona terá músculos que adquirem volume 40% maior do que os de uma mulher comparável, sem a testosterona.
O estrogênio, provavelmente, também é responsável por parte da diferença entre o desempenho feminino e masculino, porém não do mesmo grau que a testosterona. Sabe-se que o estrogênio faz aumentar o deposição de gordura na mulher, especialmente nas mamas, quadris e tecido subcutâneo. A mulher não-atleta tem aproximadamente 27% de gordura em sua composição corporal, em comparação com o homem não-atleta, que tem aproximadamente 15%.

3. Os exercícios trazem benefícios para as mulheres?
Sim. Tanto em homens quanto em mulheres, os exercícios feitos de uma forma regular, apresentam efeitos muito benéficos: aumento da capacidade aeróbia, diminuição da pressão sangüínea e freqüência cardíaca e redução da gordura corporal, tudo isso aumentando a proteção contra várias doenças, principalmente arteriosclerose e cardiopatias. Os exercícios (stress ósseo) tendem a promover a deposição óssea, proporcional ao grau de stress ao qual o osso é submetido. Assim, por exemplo, os ossos dos atletas (homens e mulheres) ficam consideravelmente mais pesados do que os de não-atletas, ajudando na prevenção da osteoporose.

4. Nas mulheres, o exercício poderia ter contra-indicações?
Em geral, não. Havia muita superstição sobre a participação da mulher menstruada em competições, que foram totalmente descartadas. Também havia a crença de que mulher, com algum tipo de exercício violento, poderia sofrer danos em seu sistema reprodutor, o que era um mito. Pelo contrário, o testículo do homem são vulneráveis, e em certos tipos de esportes há necessidade de proteção.

5. Há desempenhos diferentes nas diferentes fases do ciclo menstrual?
Mulheres bateram vários recordes mundiais em todas as fases do ciclo menstrual. No entanto, tomando por base levantamentos realizados em atletas do sexo feminino durante a menstruação, pode-se observar diminuição do desempenho.

6. Por que, mais e mais mulheres têm tido melhores desempenhos nos últimos anos?
1. Há mais mulheres participando e, por conseqüência, maior número de mulheres, estatisticamente, participando de competições;
2. Mulheres com treinadores melhores e mais bem preparados;
3. Mais chances para competições em níveis melhores.

7. Existem alterações do ciclo menstrual das atletas por causa dos exercícios?
Sim. A amenorréia ocorre em cerca de 3 a 5% das mulheres (população geral). Nas mulheres que praticam exercícios, essa porcentagem sobe para 15 a 60%. Podem existir outros distúrbios relacionados ao ciclo e ainda não se tem sua real incidência.

8. Qual as explicações (fisiopatologia) do porquê da amenorréia da mulher atlética?
São vários fatores: baixo peso corporal, perda rápida de peso, início súbito de exercícios vigorosos, nutrição inadequada e stresses psicológico e físico. Basicamente, seria por alteração hormonal, além de liberação de substâncias endógenas (v. endógeno).

9. É importante tratar a amenorréia?
Seja a mulher atleta ou não, o maior problema decorrente é a infertilidade. Existe maior incidência de escoliose e fraturas por stress em dançarinas amenorréicas; outras atletas observou-se uma maior incidência de lesões musculoesqueléticas (v. musculoesquelético). O maior risco derivado de um longo período de amenorréia seria a perda da densidade óssea (osteoporose prematura). Os estrógenos e, possivelmente a progesterona, têm efeito protetor sobre os ossos, aumentando a absorção do cálcio e sua deposição nos mesmos. A perda de estrógenos também aumentaria os níveis de lipídios no sangue, originando arteriosclerose prematura. Do mesmo modo poderia levar a maior incidência de câncer dos órgãos da reprodução.

10. Há diminuição do desempenho com a idade?
Em princípio, sim, mas não necessariamente. Se houverem treinamento e motivação, algumas mulheres continuam a melhorar seu desempenho.

11. Pode a mulher não apresentar grande hipertrofia dos músculos quando submetida a treinamento de força?
Não obrigatoriamente. Provavelmente devido aos menores níveis de andrógenos, as mulheres obtêm grandes melhoras com o treinamento de força, sem aumento apreciável de massa muscular.

12. Os estrógenos são modificados pelo exercício?
Os exercícios extenuantes podem baixar os níveis de estrógenos, mas não afetam, obrigatoriamente, o desempenho.

13. As atletas são mais tendentes a lesões?
Não. Desde que haja um bom treinamento não há, em princípio, aumento do número de lesões.

14. Os homens podem ser ultrapassados pelas mulheres em alguma modalidade esportiva?
Sim, em natação de longa distância (travessia do Canal da Mancha).

15. As pílulas anticoncepcionais podem afetar, nas atletas, o desempenho?
Pelo que se tem de literatura disponível, parece que ocorrem pequenas alterações fisiológicas. No entanto, não parecem

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