O ser humano não é uma máquina – é infinitamente melhor!
Dr. Abner Carlos Areno

A biomecânica é um ramo da biologia que se ocupa das leis da mecânica às estruturas orgânicas vivas, especialmente quanto ao sistema locomotor do corpo humano. O sistema músculo-esquelético pode ser comparado a u’a máquina, capaz de realizar trabalho mecânico através de seu sistema de forças musculares, alavancas ósseas, centros de rotação articular e segmentos corporais que fornecem peso e massa. Existe uma tendência natural em se decompor o sistema esquelético e pensar-se em cada parte isoladamente, mecanicamente falando. Este tipo de “visualização” é muito interessante para se resolver um problema específico, mas muito perigoso por mostrar um caráter excessivamente mecanicista... O ser humano ainda é um mistério, mesmo depois de “juntarmos” todos os seus tecidos, órgãos e sistemas no laboratório. Em particular, nossa estrutura esquelética é mais que simplesmente uma “caixa” ou “armação” feita para conter nossos órgãos vitais ou servir de “alavanca” para a ação dos músculos. Nossos músculos são mais que uma união de “motores” e “polias”; nossos nervos, mais que simples “fios condutores”; nossos vasos (artérias, veias e linfáticos), mais que meros “condutores de fluídos”. Um indivíduo é uma unidade biológica maravilhosamente integrada e não apenas a simples soma de suas partes. Ou seja, o ser humano deve ser estudado e entendido como um todo, completo e indivisível.

A partir do nascimento, o homem, como ser bípede, adquire uma arquitetura que o direciona no sentido de possuir agilidade, força, alavancas, mobilidade e balanço contra a constante ação da gravidade. Quando a biomecânica normal é mudada, mesmo que sutil, alterações ocorrem por causa da intrincada inter-relação de nossos sistemas estruturais e funcionais. A adaptação ao stress depende de forças controladoras e coordenadoras existentes no interior do organismo – a soma de todos os sistemas do corpo, direta ou indiretamente.

Assim como a totalidade de todos os ossos forma o sistema esquelético, cada osso individualmente pode ser considerado com um órgão e uma “ferramenta” altamente complexa. Em termos de biomecânica, o esqueleto pode ser considerado como um sistema de alavancas que são movidas por músculos ou forças externas. O tipo, alcance e força do movimento são governados pela natureza das articulações entre as partes que se movem, os comprimentos das alavancas ósseas, o tamanho e arranjo dos músculos que atuam sobre aquelas alavancas e o peso da carga a ser movido.

O sistema ósseo permite um suporte semelhante a uma viga mestra antigravitacional para todos os vertebrados e serve como local de inserção para músculos e tendões; os ossos longos, em particular, funcionam como alavancas que tornam o movimento e a locomoção possíveis.

Os ossos possuem a capacidade intrínseca para detectar mudanças em seu ambiente funcional e subseqüentemente uma resposta apropriada. De fato, a capacidade do esqueleto suportar com sucesso as forças externas é somente alcançada e mantida graças a remodelação para adaptação do tecido ósseo poder ser tão responsiva à demanda de forças agindo sobre ele (Lei de Wolff – quando stresses são aplicados a um osso, as trabéculas ósseas se desenvolvem e se alinham para se adaptar a essas linhas de stress).

← voltar

Todos os direitos e imagens reservados - Clínica de fraturas Zona Norte | Design by Midhaus