Tópicos sobre prevenção e conduta nos traumas resultantes da atividade desportiva
Dr. Lucio Lovisotto

PREVENÇÃO

 Exercícios de alongamentos musculares antes de cada atividade física devem ser obrigatórios. Previnem lesões musculares e tendinosas, evitam as dores musculares e aumentam a amplitude dos movimentos articulares.

 Competições escolares antes dos 12 anos devem ter apenas caráter lúdico (divertimento), sem sobrecarga física ou emocional.

 O aquecimento antes das atividades físicas é de fundamental importância. Por aumentar a temperatura corporal, aumenta a força de contração muscular (otimizando a coordenação neuromuscular), prevenindo a ocorrência de lesões musculares e promovendo uma predisposição psíquica à performance. Para cada grau de temperatura do corpo aumentado, o metabolismo celular aumenta em 13%, provocando rápida liberação de oxigênio do sangue para os músculos.

 Tomar vitaminas associadas a sais minerais.

É muito importante a prática de esportes na adolescência pois desenvolve um senso crítico em relação à saúde e afasta os jovens do álcool, das drogas e do fumo.

 A ingestão de líquidos é importante durante a atividade física, principalmente em temperaturas altas, para repor a perda de líquidos provocada pelo suor.

 O estresse físico em crianças é conseqüente a não obediência aos limites físicos e psicológicos, quando submetidas à sobrecarga em busca de resultados esportivos em escolas onde os professores são mal orientados ou, então, por pais que exigem excessivamente de seus filhos. A conseqüência é uma síndrome psicossomáticaidentificada por vertigens, tiques nervosos, enurese noturna, poliúria, diarréia, anorexia, vômitos, dificuldades no aprendizado e transtornos de caráter.

 O intervalo nos jogos é importante para melhorar as condições físicas para o tempo seguinte. Algumas providências a serem tomadas consistem em:
1. manter as pernas elevadas por, pelo menos, 5 minutos e apoiadas em superfícies macias;
2. não apoiar as costas em chão ou quaisquer superfícies frias ou úmidas;
3. urinar;
4. beber água fresca ou suco de laranja e
5. usar algum tipo de agasalho se estiver frio.


LESÕES MAIS COMUNS

Câimbra: é uma forte contração muscular, súbita, aguda, prolongada e involuntária. No esportista pode ser por excesso de ácido láctico ou por fadiga aguda das fibras musculares.
Conduta: deve-se alongar o músculo que sofreu a contratura. Se for o músculo da panturrilha, deixar o joelho estendido e forçar o pé para cima (flexão dorsal do pé) por aproximadamente 30 segundos.

Distensão muscular: trata-se de rotura parcial (algumas fibras) ou total de um músculo. A causa é um movimento brusco e intenso durante a contração muscular ou quando o movimento se faz contra resistência.
Conduta: aplica-se gelo imediatamente no local da dor por 30 minutos e repetir a cada 3 horas nas primeiras 24 horas. No dia seguinte, o gelo deve ser usado em intervalos maiores, a cada 4 horas. Nos casos graves, com ou sem hematoma, pode-se imobilizar de imediato para alívio da dor e iniciar o uso de medicação antiinflamatória. Assim que possível, iniciar tratamento fisioterápico para melhora da dor, se houver (através de ondas curtas ou ultra-som), e exercícios (assim que o quadro permita). Durante o período de tratamento (cicatrização), fazer controles com ultra-sonografia para avaliação.

Entorses: são lesões causadas, geralmente, por movimentos intensos e bruscos em uma articulação, contra uma resistência. Ocorre uma distensão ou rotura dos ligamentos e da cápsula articular da articulação afetada.
Conduta: a colocação de gelo deve ser imediata, por 30 minutos e repetida a cada 3 horas, acrescido de medicação antiinflamatória. Após avaliação ortopédica, imobilizar (goteira gessada ou outro tipo de imobilização). Nos casos graves, o paciente deve ser submetido a exames radiológicos para se evidenciar a presença ou não de fraturas, luxação ou subluxação. Nos entorses de tornozelo (muito freqüentes nos esportes), a fisioterapia deve ser iniciada, logo que possível, para melhorar a propriocepção. Nos casos mais graves a imobilização deve durar mais tempo (o tempo dependerá do grau da lesão). O tratamento fisioterápico pode ser iniciado logo após a retirada da imobilização.

Contusões: podem ser moderadas leves, moderadas ou graves.
Conduta: inicia-se o tratamento com gelo local (como nas distensões e entorses). Nos casos mais graves, deve-se fazer avaliação ortopédica. Radiografias poderão ou deverão ser feitas para se afastar a possibilidade da ocorrência de fraturas. Deve ser orientado repouso, ou então, a imobilização (nos casos graves) deve ser concomitante ao uso de antiinflamatórios. Dependendo do caso, poderá haver necessidade de tratamento fisioterápico.

Escoriações: perda de substância limitada apenas às camadas superficiais da pele (eventualmente, poderão ser associadas às lesões descritas anteriormente).
Conduta: é importante fazer a limpeza local com água, soro fisiológico e anti-sepsia. Em certos casos, o reforço de vacina antitetânica é imprescindível.

Ferimentos corto ou lácero-contusos: ferimentos onde há solução de continuidade da pele (associados ou não às outras lesões descritas anteriormente).
Conduta: limpeza local com soro fisiológico e anti-séptico. Se houver ferimento, sutura do mesmo.

Traumas da coluna: qualquer trauma que atinja a coluna, em qualquer um de seus níveis (cervical, dorsal, lombar, etc).
Conduta: nos traumas mais intensos, principalmente na região cervical (pescoço), é importante evitar-se a movimentação do local. Manter a coluna estendida e, se houver necessidade de remoção para avaliação médica, esta deve ser realizada por pessoal treinado para evitar-se que uma lesão, aparentemente simples, ocasione complicações neurológicas graves comoparaplegia ou tetraplegia.

Traumas das extremidades (membros): com suspeita de fratura.
Conduta: imobilizar as articulações (proximal e distal) do segmento afetado com talas (gessadas, metálicas ou até madeira) até que sejam feitos a avaliação ortopédica e radiológica e tratamento adequado.

Traumas da cabeça: as lesões mais freqüentes são o céfalo-hematoma [v. cefal(o) e hematoma] ou as difusas, do tipo concussão.
Conduta: em quaisquer casos, avaliação médica. Se necessário, avaliação com neurocirurgião. 

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